Mobilidade urbana: Qual a saída para São Paulo?

Entrevistas com os candidatos a prefeito mostram o plano de cada um para a questão da mobilidade urbana, problema central da cidade

Fonte: Regina Rocha, no Mobilize Brasil

São Paulo é a cidade escolhida para esta segunda reportagem do Mobilize Brasil, dentro da série que apresenta os planos de mobilidade sustentável dos candidatos a prefeito de onze capitais brasileiras. A intenção é que o eleitor conheça e avalie bem as propostas dos candidatos, e cobre depois do futuro prefeito da maior cidade do país suas promessas de campanha.

Segundo a última pesquisa Datafolha, de 28 e 29 de agosto, os três primeiros prefeituráveis na disputa eleitoral paulistana são: Celso Russomanno (PRB), com 31%; José Serra (PSDB), com 22%; e Fernando Haddad (PT), com 14%. Atrás, ficaram Gabriel Chalita (PMDB), com 7%, e Soninha (PPS), com 4%. Estes foram os candidatos procurados pelo Mobilize*. Apenas o tucano José Serra não atendeu à reportagem. Apesar de consultada várias vezes, por telefone e e-mails, a assessoria do candidato não encaminhou nenhuma linha, nem justificou o silêncio peessedebista.

Leia a seguir o que responderam os candidatos à seguinte questão:

“Caso seja eleito, qual o principal projeto de mobilidade urbana sustentável que implementará durante o seu governo?”

Celso Russomanno (PRB)
Apresentador de TV, ex-deputado federal e candidato do Partido Republicano Brasileiro pela coligação Por Uma Nova São Paulo

“Eu sou totalmente a favor de projetos sustentáveis na cidade de São Paulo. Tenho 22 bicicletas espalhadas pelos imóveis que temos e aprovo a ideia da construção das ciclovias, com educação de trânsito aos motoristas e pedestres. Eu sou ciclista. A ciclovia é importante, mas tem de fazer direito, não como a prefeitura vem fazendo atualmente.

Eu gostaria de ver na cidade a alternativa de ir pedalando ao trabalho. O ciclista ocupa menos espaço que o carro e colabora para a mobilidade. Vou colaborar para ter mais ciclovias, mas não esses remendos feitos no bairro de Moema.”

Fernando Haddad (PT)
Ex-ministro da Educação e candidato do Partido dos Trabalhadores à prefeitura pela coligação Para Mudar e Renovar São Paulo

“Nossa gestão colocará em prática um plano integrado de mobilidade urbana sustentável e transporte público de qualidade, baseado na criação do Arco do Futuro, que tem por objetivo descentralizar a distribuição dos postos de trabalho em São Paulo, evitando longos deslocamentos e diminuindo o trânsito em direção ao centro expandido.

O Arco do Futuro começa na avenida Cupecê e segue pelas Marginais dos rios Pinheiros e Tietê e pela avenida Jacu-Pêssego. Nosso compromisso é reduzir de 5% para 2% o ISS das empresas que se instalarem ao longo e no entorno do arco, além de diminuir o IPTU (podendo até zerar) das companhias que investirem na região e de investir cerca de R$ 20 bilhões em obras viárias com a ajuda do governo federal.

Além disso, vamos criar 150 km de novos corredores e outros 150 km de faixas exclusivas para ônibus, diminuindo a circulação de carros nas grandes avenidas e estimulando o uso do transporte coletivo. Os corredores de ônibus existentes serão recuperados, e a SPTrans e a CET passarão a gerenciar de maneira efetiva o trânsito, poupando os ônibus de congestionamentos e informando o usuário. Ao mesmo tempo, vamos promover o uso de energias renováveis, substituindo gradualmente o uso de combustíveis fósseis por outros com menor potencial poluente. Vamos ainda disponibilizar recursos da prefeitura para que o metrô acelere suas obras de expansão, mediante a negociação de prazos e metas com o governo estadual, que é o ente federativo responsável pelos investimentos nesse modal. Nossa gestão apoiará, sobretudo, a antecipação da entrega das estações Jardim Ângela, Pirituba, Lapa e Cerro Corá.

O uso da bicicleta também ganhará espaço: a prefeitura vai incentivar seu uso, explorando seu potencial como meio de transporte em campanhas educativas de trânsito. Criaremos um sistema cicloviário com vias conexas e contínuas para a circulação segura das bicicletas, com a redução da velocidade máxima nas vias arteriais, de modo a diminuir riscos para os ciclistas. Haverá sinalização viária específica, normas de prioridade e circulação, infraestrutura e equipamentos para o estacionamento e guarda de bicicletas junto aos principais centros de destino das viagens, às estações e terminais de transporte público.

A bicicleta, porém, é apenas um dos modais disponíveis. Para que possa ter seu uso ampliado, é preciso que ela dialogue com o sistema público de transporte como um todo. Nesse sentido, o Bilhete Único é fundamental: por meio dele, a prefeitura criará um sistema pelo qual o usuário poderá pagar o empréstimo e o compartilhamento de bicicletas com os créditos do seu próprio bilhete. Também haverá postos de venda da Zona Azul onde será possível usar o Bilhete Único para pagar o estacionamento integrado com o transporte coletivo. E não é só: vamos criar o Bilhete Único diário, semanal e mensal, com validade temporal definida, para que o usuário realize tantas viagens quantas deseje no período de tempo escolhido, obtendo descontos maiores quanto mais longo for o período adquirido.”

Gabriel Chalita (PMDB)
Ex-secretário da Educação do Estado de São Paulo, candidato do PMDB à prefeitura pela coligação São Paulo em 1º Lugar

“A mobilidade urbana será melhorada por meio de diversas ações integradas, com investimentos em vários meios de transporte, infraestrutura e gestão do trânsito. Haverá ampliação dos corredores de ônibus já existentes (permitindo a ultrapassagem dos veículos), o redesenho de linhas (para torná-las mais eficientes) e a construção de novos corredores, no modelo dos BRTs, para ligar bairros distantes e populosos ao centro da cidade com menos paradas no caminho, de forma a reduzir o tempo de percurso. Um projeto de corredor expresso, pronto para ser implementado já no primeiro ano de governo, conectará diretamente, sem paradas, Itaquera ao centro da cidade.

No caso dos corredores atuais, é preciso modernizá-los e corrigir absurdos como a falta de áreas para ultrapassagem que faz com que, em alguns casos, os ônibus cheguem a ficar até 12 minutos parados nos pontos enquanto aguardam o embarque de passageiros, prejudicando o fluxo de todo o corredor. Precisamos usar de forma inteligente tanto a infraestrutura quanto a frota de cerca de 15 mil ônibus já disponíveis na cidade, fazendo as mudanças necessárias ao mesmo tempo em que investimos em novos projetos. O prefeito também deve participar ativamente dos projetos de ampliação do metrô, juntamente com os governos estadual e federal.

Hoje acontecem 7 milhões de viagens a pé na cidade de São Paulo por dia, e apenas 304 mil de bicicleta. Ou seja, a bicicleta poderia ocupar um espaço maior na matriz de transportes do município, substituindo parte dos trajetos a pé. Além do seu uso como lazer, principalmente nos finais de semana. Entretanto, é preciso que haja uma política de segurança para o uso da bicicleta na cidade. Isso envolve a construção de ciclovias bem sinalizadas, seguras, com manutenção e fiscalização da prefeitura, e nunca com as mesmas faixas competindo diretamente com os carros, para impedir novas mortes de ciclistas no trânsito (nos últimos anos, o acidente fatal com ciclistas no trânsito de São Paulo tem variado entre 60 e 100 mortes por ano). Também devemos ampliar os projetos de aluguel de bicicletas, a integração com o metrô e o número de vagas de estacionamento. Campanhas educativas e de conscientização para motoristas e ciclistas serão constantes.”

Soninha (PPS)
Jornalista e ex-vereadora, candidata do Partido Popular Socialista pela coligação Um Sinal Verde para São Paulo

“Medidas para melhorar a qualidade do serviço público, para quem já o utiliza e para atrair novos usuários:
– Implantar novos corredores
– Implementar efetivamente linhas-tronco nos corredores, com veículos de maior capacidade operando no modo ‘metrô sobre rodas’ ou ‘BRT’ para melhorar a fluidez, regularidade e duração das viagens
– Implantar o pagamento de tarifa nos pontos ou estações nos corredores, antes do embarque
– Assegurar conforto para passageiros, motoristas e cobradores – nos veículos, pontos, terminais (assentos, ruído, temperatura, qualidade do ar, banheiros, áreas de alimentação e serviços, internet sem fio)
– Implantar efetivamente a acessibilidade universal em pontos, terminais e veículos
– Ampliar a oferta de linhas perimetrais inter-bairros e regiões (ex: ligação norte-noroeste)
– Oferecer ônibus 24 horas e aumentar a oferta nos fins-de-semana
– Expandir as linhas de trólebus, com substituição por veículos mais modernos
– Estudar a viabilidade de implantação do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) a médio prazo nos corredores
– Melhorar a integração entre os vários modais; implantar garagens de automóveis e bicicletários junto a estações de metrô
– Implantar um Sistema Cicloviário na cidade, elaborando Planos Cicloviários para cada bairro e distrito
– Aumentar a oferta de bicicletas de uso compartilhado
– Implantar passarelas para pedestres e ciclistas sobre as Marginais Tietê e Pinheiros
– Oferecer barcas para travessia de passageiros nas represas Billings e Guarapiranga
– Aperfeiçoar os mecanismos de controle de pontualidade (completar a instalação de GPS nos veículos e  do Sistema Integrado de Monitoramento); velocidade (monitoramento dos tacógrafos), segurança (boas condições do veículo e a conduta correta do motorista), impacto ambiental (substituir, paulatinamente, a matriz energética da frota de ônibus por modos menos poluentes)
– Fiscalizar a manutenção da estrutura viária, pontos, terminais, elevadores e escadas rolantes  com equipes em motos elétricas ou bicicletas
– Aperfeiçoar mecanismos para recebimento de reclamações e sugestões
– Reduzir o custeio: racionalizar o sistema e aumentar a produtividade, evitando sobreposição ou carência de linhas , excesso ou falta de veículos
– Lutar politicamente pela redução do custo dos insumos (impostos sobre o diesel; IPI para a aquisição de microônibus; tarifa pelo uso de energia elétrica no sistema de trólebus)
– Aumentar a receita extra-tarifária  com exploração de publicidade em veículos e pontos e  licitação de pontos comerciais nos terminais
– Desestimular a circulação de automóveis na região central, consultando a população em plebiscito sobre as alternativas ‘rodízio ampliado’ e ‘pedágio urbano’
– Diminuir o número de vagas de estacionamento em vias públicas para ampliar calçadas e ciclofaixas
– Rever as restrições para ônibus fretados
– Estudar o impacto no trânsito antes de conceder licenças para novos empreendimentos
– Promover uma política de redução de distâncias e redução da desigualdade”

*Os demais candidatos – Paulinho da Força (PDT), Ana Luiza (PSTU), Carlos Giannazi (PSOL), Anaí Caproni (PCO), Eymael (PSDC), Levy Fidelix (PRTB), Miguel (PPL), com 2% ou menos da intenção de votos, não foram consultados.

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